Observando nosso modo de vida, vejo que investimos extremamente na busca da felicidade. Buscamos a ausência do sofrimento, a anestesia para as dores da existência. Investimos em tal procura, pois as pessoas nos cobram a felicidade escancarada. Mas será que alguma forma preestabelecida pela sociedade é o que realmente nos faz feliz?
Penso que não sabemos o que procuramos, pois nem ao menos sabemos definir, ou até mesmo caracterizar,o termo 'felicidade'. Creio, intensamente, que não podemos buscar felicidade, pois ela é uma mera consequência de ações, ou momentos alegres. Deixo bem clara minha opinião sobre a diferença entre felicidade e alegria: a felicidade é algo constante, como disse Aristóteles,não é algo que se esvai logo em seguida, um estado de espírito, enquanto alegria é um sentimento momentâneo.
Ser feliz, é muitas vezes, uma ideia associada a modelos previamente estabelecidos por nossa sociedade: o consumo desenfreado, a posse de objetos, dinheiro, fama, poder, status. Quanto mais temos, mais tememos perder. Quanto menos temos, mais infelizes parecemos ser diante desse modelo.
Não consigo enxergar qual o problema em estar infeliz, já que nem sempre estamos alegres o suficiente para nos sentirmos bem, ou não achamos coisas que nos trazem alegrias. Nem sempre os acontecimentos são favoráveis à nossa busca.
Às vezes, buscamos nossa felicidade na felicidade das pessoas que estão à nossa volta. Particularmente, acho isso arriscado, pois nem sempre, essas pessoas nos transmitem o que realmente sentem, deixando a duvida de se essa alegria é verdadeira. O interessante é que, para a sociedade, o importante é ter, em seu meio, pessoas felizes e irradiando felicidade, como se só existissem pessoas realizadas profissional ou fisicamente.
Para mim, a questão crucial aqui é chegar num ponto comum de entendimento da felicidade, que, muito além de uma 'carinha sorridente', é um meio de passar por cima do real estado psicológico da alma. As pessoas, frenquentemente, fingem estar felizes, para agradar um parente, um amigo, um chefe de trabalho. Afinal, onde estará o segredo para a felicidade?
Será que necessitamos atingir os parâmetros por um modelo econômico-social? Nossa felicidade se resume a quanto podemos gastar? E quando não temos recursos para gastar? E quando gastamos muito e, ainda assim, não atingimos o que considerávamos ser um estado de felicidade?
Em minha opinião, a felicidade está em conhecer e respeitar aquilo que somos, as nossas necessidades. Encontrar modos para exercer o que somos pode ser um caminho saudável para a existência. distante de padrões estipulados socialmente, longe da hipocrisia social, que exige a anulação do que se é, como forma de ser, podemos valorizar tudo o que produz vida em nós.
Portanto, não existem padrões para ser feliz e, sim, momentos em que ficamos alegres, podendo assim chegar à felicidade. O que podemos fazer é ter ações que nos tragam alegria. Sejam ações medíocres ou não.